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De tudo que fui, de tudo que sou, do nada que serei
Nada
Nadas
Nadam
Nadando em
mim há os pensamentos.
Hão os pensamentos, porque
"há" é muito singular. E de singular
não há nada em mim, a pluralidade grita.
E enrouquece. Enrouquesse. E quer saber?
Cala-me. Tapa-me. E, então, me abre. Rasga e expõe.
Vira-me do avesso e mostra ao mundo a obra do monstro.
Entranhas estranham as caras pálidas daqueles que observam de longe,
ou perto. A faceta desconfigurada da menina-monstro. Da filha do
monstro. De mim. E aos poucos ela enlouquece e se esquece da
linha reta. Desvia. Faz as curvas com força, rápida, ligeira.
Quer tanto chegar, mas aonde? Ao fim, será?
E por fim, se recolhe
no ponto
Final...
Fim.

por Andrea de Lima @ 11/07/2009 12:59:00 AM
 
Colaboração!
Oi gente!
Olha só, estou participando de um concurso de fotografia e, além do voto dos jurados, o voto popular conta muito, por isso, peço, encarecidamente, que colaborem votando na minha foto! Juro que é bem bonitinha!
Esse é o link da foto:
Quem puder comentar também, melhor ainda!
Beijos a todos e até mais ler!

por Andrea de Lima @ 10/25/2009 05:51:00 PM
 
Fatos corriqueiros
Na correria, é o que nos resta, né? E é tanta que, veja bem... Final de aula, pressa de ir embora pra atacar o Skype, "presente!" e "tchau, professora, até mais!". Troco meias palavras com um pessoalzinho no corredor, sem parar de andar, cumprimento outros pelo caminho e sigo até o ponto de ônibus. Amém. Todos os dias as linhas 210 e/ou 116 me carregam de um lado de Campinas ao outro. Pelo menos trinta minutinhos sentada ali. E gosto, não nego, não. Mas gosto de ficar sentada. O-D-E-I-O ter que me segurar naqueles canos besuntados pelo suor de mãos trabalhadoras. Nada contra elas, mas desde que não deixem seus suores no cano do busão. Enfim, olho no relógio e rezo para que um dos dois passe logo. Mal tenho tempo de olhar de novo e lá está o vermelhinho. Ai, que alegria. Com os fones já nos ouvidos, viajo ao som de qualquer melodia que coloquei no celular e subo até ele: "boa tarde!", "boa tarde!", "obrigada!". "Ai, ufa, tem lugar...". Acomodo-me ao lado de uma menina, num banco pertinho da porta. "Bom, preciso avisar minha mãe que estou chegando. Tou uns minutinhos adiantada, vai que ela sai e eu tenho que voltar a pé do ponto. Putz, mas ela tá sem carro, como vou fazer pra... O CARRO! AI, CACETA, O CARRO!". Nem um minuto de viagem e eu já aperto o botão de parada. Saio do ônibus rindo muito, e sigo em direção ao estacionamento da faculdade. Mais risadas, intercaladas com a vontade de contar essa história pra algumas pessoas específicas e encontrar alguém qualquer pelo caminho para compartilhar do meu riso. "Entrei no ônibus, paguei e lembrei que o carro tava aqui, meu!". "Ai, Déia, só você...". Pelo caminho avisto um casal de pássaros. Quase miniaturas de avestruz: corpo de bolinha, pernas e pescoço finos e uma cabecinha delicada. Um de pé e um sentado. Assovio daqui, e ele responde de lá. Assovio daqui, e ele de lá. Procura de onde vem o som, num desespero bonitinho. Assovio daqui e, ao final de sua resposta, ele se levanta e, de debaixo dele, saem três filhotinhos, correndo em direção à moita - que, para eles, imagino que deveria ser uma floresta. O encantamento foi tamanho, que nem liguei para os 2,50 que eu havia dado de presente ao ônibus. "Ai, como eu queria estar com a minha câmera...".
Até mais ler.

por Andrea de Lima @ 9/30/2009 11:51:00 PM
 
Três meses
Você foi e nem me deixou seus braços que me rodeiam de amor e me enlaçam numa dança tímida. Foi tão logo e se esqueceu de me deixar sua boca, pra me aquietar os ruídos da vida. Não me deixou seus pezinhos, que balançam dentro da meia branca, debaixo da mesa do restaurante japonês. Sequer se lembrou de esquecer suas mãos por aqui, para que eu pudesse fazer aquilo que só você sabe. Foi e se levou toda. Levou seu sorriso doce, sua risada engraçada, o cheiro único, a pele quente e macia. E derramando poucas lágrimas, se deixou levar e vôou. Aterrisou na terra do bacalhau sem ao menos ter me deixado qualquer coisa de você, além da saudade...

por Andrea de Lima @ 8/26/2009 08:06:00 PM
 
Há males que vêm para o bem
Pois é, eu não aceito a reforma ortográfica. Adoro acentuação gráfica e acho que vem, no plural, fica muito mais bonito de chapeuzinho.
Mas a questão não é essa. A questão é que me peguei pensando que se ao menos eu tivesse pegado a gripe suína (bate na madeira!), eu poderia escrever um post com título do tipo: Confissões de uma blogueira que pegou gripe suína. Aposto que vocês não conhecem ninguém que tenha pegado. Acertei? Acertei, sim. Além disso, por causa da gripe as minhas aulas vão começar só dia 17 de agosto! Quer coisa melhor que isso? Na verdade, eu quero. Eu quero inspiração, meu Deus!
Até mais ler.

por Andrea de Lima @ 8/04/2009 01:58:00 PM
 
Meu momento bicha
É Você - Tribalistas
Composição: Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown


É você
Só você
Que na vida vai comigo agora
Nós dois na floresta e no salão
Nada mais
Deita no meu peito e me devora
Na vida só resta seguir
Um risco, um passo, um gesto rio afora

É você
Só você
Que invadiu o centro do espelho
Nós dois na biblioteca e no saguão
Ninguém mais
Deita no meu leito e se demora
Na vida só resta seguir
Um risco, um passo, um gesto rio afora
Na vida só resta seguir
Um ritmo, um pacto e o resto rio afora

Só porque você fica incrivelmente linda dentro daquele vestido preto. Ainda mais me sorrindo como quem pede uma aprovação. Eu só espero que o meu sorriso - fora as mil e uma palavras - tenham conseguido expressar tão bem quanto o seu, a minha opinião. E só porque essa música fala tudo. Ou quase!
Te amo!

por Andrea de Lima @ 7/09/2009 01:34:00 AM
 
Final de semestre
Aí que eu fiquei gripada duas vezes seguidas. Confesso que tomei tudo errado meu remédio. Mas eu estava mais preocupada com resiliência e testes psicológicos do que com antibiótico. Então que eu fui ao hospital, parei numa vaga horrível, pensando que era boa e fiz uma caminhada que durou cinco minutos até chegar à nova recepção do Centro Médico. Cheguei e me senti em alguma novela das nove, numa recepção que daria pra dar uma festa pra trezentos convidados, cheia de mármore e televisões de plasma. Em comparação àquela salinha que lotava de gente antes, essa de agora arrasou! Não que o hospital fosse ruim, não é. É um dos melhores de Campinas, senão o melhor, mas isso não vem ao caso. Enfim, como tenho o péssimo hábito de ter preguiça de pegar bolsa antes de sair de casa, estava abraçada com livro, lápis, papéis e carteira. A intenção era ler, mas o inverno pegou não só a mim, como pegou umas criancinhas fofas e eu me entreti olhando para elas, só pra variar. Uma era meio estranha e sociável demais. Veio pegando chave do meu carro e derrubando e querendo ver e mexer e eu só não dei uma bronquinha porque ela tinha um nome gringo, a avó era brava e a mãe completamente esquisita. Aí eu entrei e um médico bá-tchê me atendeu, na maior malemolência gaúcha. Acontece que meu livro chama A função do orgasmo (recomendo àqueles que entendem pelo menos o básico de psicologia, senão fica difícil) e tem uma capa super sensual, vermelha e tals. Coloquei o livro na cadeira e, em cima dele, a carteira e as outras bugigangas. O queridíssimo, com nenhuma licença, deu uma fuçadinha no título e:
- Como é que chama?
- A função do orgasmo. ("ó céus, piadinha, não!")
- Você ficou com vergonha, por isso escondeu o livro?
Risada blasé, e:
- Não! Eu só não quis ocupar as duas cadeiras, sendo que tudo cabia numa só.
Risada blasé, agora da parte dele, e:
- E qual é a função do orgasmo? (sabia!)
- Eu tô na introdução ainda, mas imagino que, de acordo com a teoria do cara, tenha a ver com a boa manutenção da vida. (viu, meu pulmão vai explodir a qualquer momento, qual é a função disso?)
Nessa hora eu tive vontade de acrescentar um "o que é super compreensível", depois de "boa manutenção da vida", mas preferi continuar dizendo que era pro meu curso de psicologia. Sem querer soar convencida, afinal, eu deveria estar o ó do borogodó naquela noite de sexta-feira, mas eu não queria nenhum médico punheteiro pensando em mim como a menina do orgasmo. Esse pensamento tem copyright.
Eu só sei que, no final das contas, eu saí do hospital com uma receita, raio-x mostrando lá meu pulmão lindo e limpíssimo, tossindo feito uma desenganada, busquei minha namorada e fui pra balada. Ah, eu merecia, vai?
Até mais ler.

por Andrea de Lima @ 6/22/2009 01:37:00 AM
 
Comentários #5
Acabei com ele, meninas! Ufa! Só falta apresentar um poster e receber as notas. Isso aqui tá mais parecendo um Twitter ultimamente. Mas eu vou melhorar, prometo.

Até mais ler.

por Andrea de Lima @ 6/22/2009 12:24:00 AM
 
moi
je par me
Saboreando as pequenezas da vida e tornando-as grandes. Tateando letras e montando um quebra-cabeça de palavras, em busca de alguma elucidação sobre mim, sobre você, sobre o mundo...

 
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